Teresina - PI
julho 28, 2026 12:00

Suicídio – precisamos falar sobre (?!)

Ex-prefeito de Teresina, Firmino Filho

MUNDIAL:  Segundo o relatório acerca do suicídio, publicado em 2021 pela Organização Mundial da Saúde, que reflete os dados coletados em 2019, mais de 700 mil pessoas morreram de suicídio. O número ultrapassou as mortes por HIV. Sendo a quarta maior causa de morte entre os jovens de 15 a 29 anos. Os dados fizeram com que a organização lembrasse os países a intensificar os esforços para a prevenção do atentado à própria vida.   BRASIL: De acordo com o boletim epidemiológico acerca da temática, divulgado pelo Ministério da Saúde, 13.523 pessoas morreram de suicídio em 2019 no país. O número, que representa aumento de 43% em relação ao ano de 2010, assusta pelas crescentes ocorrências de um fenômeno para o qual existe prevenção. O Portal RP50, em compromisso com a temática de interesse público, recolheu informações com especialistas e serviços da capital piauiense para relembrar da importância da prevenção fora do setembro amarelo.  Neste ranking, o Piauí aparece como o terceiro estado do Brasil com maior índice, tendo registrado 11,6 a cada 100 mil habitantes, sobrepondo a taxa nacional do mesmo ano, que foi de 6,6 (por 100 mil habitantes).  PIAUÍ: Nos últimos 3 anos, segundo os dados gerais sobre o suicídio disponibilizados no siteda Secretaria de Saúde do Piauí (Sesapi), o estado registrou 871 casos. Deste número, 708 são homens. O fator que causa preocupação é explicado por uma contribuição cultural, social e estrutural.  De acordo a psicóloga Mariane Siqueira, especializada em suicidologia, o suicídio não é um fator isolado, atrelado a um esteriótipo de uma pessoa triste e solitária, mas sim cercado de diversas facetas que precisam ser debatidas:  “Precisamos entender a dimensão do que de fato ele é, um fenômeno social, que acontece por variadas situações, não existe uma causa única ou um perfil de suicida. Tem todo um contexto histórico e social que leva a pessoa até a situação drástica. Assim, aderindo a reeducação e entendendo estes fatores, partimos para a prevençaõ”.  Para a especialista, que trabalha na Universidade Estadual do Piauí há cerca de 10 anos, os fatores socioeconômicos e culturais fazem com que, diversas vezes, pessoas comuns sem vícios ou transtornos psicológicos, pensem não haver uma saída de seus problemas e cheguem a pensar na morte como uma possibilidade de cessar o sofrimento. Fatores estes que contribuem com o alto índice de suicídio entre os homens, por exemplo.   “A cultura é um dos fatores de risco. Por conta da educação de uma sociedade machista que impõe sobre os homens essa carga de não poder falar, não poder chorar, ele tem que ser o provedor e não poder demonstrar fraqueza faz com que ele demore a identificar que precisa de ajuda e também a buscar esse apoio. Outro fator é que os homens possuem mais ferramentas para tentar contra a própria saúde, também devido à estrutura patriarcal”. Entendendo estes fatores, é necessário responsabilidade e empatia diante das mais diversas situações a qual as pessoas passam no seu cotidiano, sejam elas: dificuldades financeiras, rompimento de relações etc. Mariane Siqueira explica, que muitas vezes, o indivíduos com idealizações e tendência, podem encobrir os seus problemas para não passar por situações de julgamento, mas ainda assim hábitos comportamentais podem ser notados, são estes:  Demais fatores intrínsecos à estrutura social brasileira também contribuem com o isolamento sentimental. Em um texto publicado pela página do Instagram “Para preto ler”, com 97 mil seguidores, que aborda temas de Saúde mental; Psicologia; Escrevivências, idealizada por Bárbara Borges e Francinai Gomes, traz as perspectivas do racismo como fator de isolamento.  Segundo as autoras, a comunidade negra e periférica, muitas vezes focada na sobrevivência, reprimem as demandas emocionais de forma intimista através das gerações de modo que o indivíduo produza o isolamento. “É comum à nossa comunidade o medo de incomodar. Talvez porque muitos de nós tivemos mães e pais ocupados demais com o sustento da casa e aparentemente pouco sensíveis às nossas demandas emocionais. Assim, a máxima de “não dar trabalho” navega por gerações e foi internalizada de tal maneira que não apenas reconhecemos como também produzimos o isolamento”. Em 2022, ainda segundo dados da Sesapi, a capital do estado se destaca tendo o maior número dentre os outros municípios, em seguida aparecem Parnaíba e Oeiras, respectivamente. Casos que cercam os cidadãos da capital, como o do ex-prefeito prefeito Firmino Filho, precisam, devido aos números, ser noticiados com segurança.  FIRMINO FILHO E A MÍDIA:  Diariamente vemos veículos de comunicação noticiar casos de suicídio dando a entender, sugerindo nas entrelinhas que a ocorrência pode ter sido “acidente” ou “homicídio”, quando os noticiantes já sabem se tratar de atentado contra a própria vida. É uma prática que, quem é da Imprensa, não tem como negar que existe, mesmo que isso não contribua em nada com o debate aqui proposto. Logo depois, o caso é abandonado. Não se fala mais. Porém, para não deixar uma ocorrência, uma matéria a mais no plantão, o jornalista, muitas vezes induzido pela direção do veículo, usa deste artifício e publica. A morte através do suícidio de uma figura pública foi o ponto de partida de muita especulação popular e midiatização de diversos meios. Firmino Filho, ex-prefeito de Teresina, foi a óbito no dia 06 de abril do ano de 2021, aos seus 57 anos. Passando por 4 mandatos (1996; 2000; 2012 e 2020) era contemplado como bom gestor pela população teresinense. Diante da situação, com que devidos cuidados o jornalismo poderia repassar o ocorrido, sem agredir o luto familiar e de todos os seus admiradores, além de tratar de forma segura o fenômeno do suicídio? Também fizemos esta pergunta à psicóloga. Em entrevista, Mariane Siqueira também aborda o papel da mídia diante dos casos: “Noticiar com segurança e de maneira educativa. Existe uma legislação sim, de que precisamos ter cuidado e não repassar imagens grotescas que não trazem o respeito às vítimas ou a família. Mas é interessante sim, noticiar de maneira que previna e eduque a população de como ajudar as outras pessoas e ter mais empatia. E

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